Transcrição
A linguagem corporativa
Vou, vou, vou.Como é que viver em tantos sítios te ajudou a aprender a “língua” de cada empresa?
É algo de que me fui apercebendo ao longo do tempo porque,desde pequena, por causa do trabalho do meu pai, viajámos para o estrangeiro.
Quando chegas a um sítio novo, tens de aprender a língua e fazer amigos.
A primeira mudança foi de Itália para Inglaterra,bem, para o País de Gales, quando tinha 11 anos.
Talvez tenha sido a mudança mais impactante, porque nunca antes tinha saído de um ambiente controlado de casa, família e amigos.
A partir daí, tens de aprender o código para comunicar com outras crianças e com os professores, numa língua completamente desconhecida.
Foi muito estimulante e é um período de que me lembro vivamente.
Permitiu-me abordar de forma muito mais madura a mudança seguinte.
Além do facto de eu ser um pouco mais velha, tinha 14 anos, quando cheguei no País Basco, vinda do País de Gales.
Aí, tive de aprender espanhol e, claro, o código cultural e social do lugar. É um contexto muito semelhante ao que vives quando mudas de empresa:tens de te dares a conhecer, ganhar respeito, aprender a linguagem corporativa. Porque, independentemente de falares uma língua,cada empresa tem o seu próprio código, não só em termos de jargão e palavras específicas, mas também na forma como aborda as pessoas.
Por isso, compreender esta “fotografia”, pôr as coisas em perspetiva,saber que toda a gente na empresa é essencial para a nossa evolução e que o papel que cada pessoa tem é fundamental para termos o maior impacto.
A conclusão a que cheguei muitas vezes é que o meu background pessoal, o que vivi na minha infância,ajudou-me a adaptar-me a diferentes cenários de negócio.
E penso — talvez soe um pouco fatalista — que isso é, de certa forma, a chave do meu desenvolvimento profissional.
Cada empresa tem o seu código, obviamente também muito influenciado pelo setor: o setor da moda, dos serviços, da distribuição alimentar ou o farmacêutico — são setores completamente diferentes.
Talvez a referência fosse também à língua, não é?
Ou seja, a língua dos diferentes lugares é como a língua dos diferentes setores.
Exato!O que dizes e como o comunicas.Também confirmei isto na fase mais recente, na startup onde trabalho como consultora, a Back2Life, dedicada a suplementos alimentares, a viver a vida ao máximo;é um conceito de marca de lifestyle.
Faz sentido que a comunicação esteja muito alinhada com a marca,mas também porque o setor é diferente.
Falo com farmácias, fornecedores, distribuidores.
Não tem nada a ver com o mundo da moda, por isso tens de te alinhar com tudo isto, garantir que ganhas o respeito das pessoas, mesmo sendo relativamente nova nesta área.
Quanto mais depressa perceberes e falares a linguagem delas, mais depressa vais atingir o teu objetivo e ter maior impacto.
